Por Somatório Inteligência · Publicado em 21 de outubro de 2026
Todo mês de outubro, o laço rosa ocupa vitrines, redes sociais e campanhas de comunicação. O câncer de mama é, provavelmente, o tema de saúde feminina mais presente na agenda pública do país. Ainda assim, uma pergunta continuava sem resposta precisa: quanto as mulheres realmente sabem sobre prevenção, diagnóstico e direitos?
Foi para responder a essa pergunta que o Instituto Natura e a Avon criaram o Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama. A pesquisa foi realizada pela Somatório Inteligência, que conduziu as edições de 2024 e 2025 no Brasil e a edição de 2025 na Argentina (Instituto Natura, 2025; Medicina S/A, 2024).
O resultado mais citado da edição brasileira de 2025 resume o problema: apenas 29% das brasileiras têm informação suficiente para cuidar da saúde das mamas, seja para reduzir riscos, identificar sinais de alerta ou buscar diagnóstico e tratamento.
Como a pesquisa foi feita
Em 2025, o índice ouviu 2.662 mulheres com 18 anos ou mais em todas as regiões do Brasil, entre julho e agosto, com metade das entrevistas presencial e metade por telefone, e 1.077 mulheres na Argentina. O desenho amostral, os controles de campo e a escolha de uma equipe de entrevistadoras exclusivamente feminina estão detalhados no case Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama: como a Somatório mapeou o conhecimento das mulheres no Brasil e na Argentina.
Como as edições de 2024 e 2025 tiveram desenhos amostrais diferentes (a de 2025 foi mais abrangente e não se limitou às capitais), os resultados de cada uma devem ser lidos separadamente, e não como uma série histórica.
Por que um índice, e não uma única pergunta
Perguntar a uma mulher se ela “conhece o câncer de mama” produziria uma resposta pouco útil. Quase todas diriam que sim. O índice foi construído para decompor o conhecimento em dimensões diferentes: fatores de risco, exames, sinais e sintomas e legislação. Só as mulheres com conhecimento alto ou muito alto nessas dimensões entram no grupo considerado bem informado.
Essa decomposição é o que transforma uma pesquisa de opinião em um diagnóstico acionável. Uma mulher pode saber que a mamografia é importante e, ao mesmo tempo, desconhecer que tem direito a receber o resultado em 30 dias. Cada lacuna aponta para uma ação diferente: uma campanha de comunicação, um material para profissionais de saúde ou uma pauta de política pública.
O que a edição de 2025 revelou no Brasil
Sinais de alerta e detecção
- 37% das brasileiras conhecem apenas o nódulo como sinal de alerta do câncer de mama (Revista Due, 2025).
- 21% acreditam que o autoexame é a principal forma de identificar uma suspeita da doença, e não a mamografia, recomendada pelas entidades médicas.
- 17% acreditam que o autoexame reduz o risco de desenvolver a doença.
- 79% não sabem que a biópsia é o exame que confirma o diagnóstico depois da mamografia.
Fatores de risco e prevenção
- 68% desconhecem que fatores genéticos hereditários podem aumentar o risco.
- Cerca de 4 em cada 10 mulheres não adotam práticas que ajudam a reduzir o risco da doença.
Direitos
- 95% desconhecem a Lei dos 30 Dias (Lei nº 13.896/2019), que garante a realização dos exames de diagnóstico em até 30 dias quando há suspeita de câncer.
- Cerca de 86% não sabem que mulheres fora da faixa etária recomendada pelo Ministério da Saúde podem fazer mamografia pelo SUS quando há indicação médica, por sintomas ou risco aumentado.
Desigualdade racial
- Entre mulheres pretas e pardas, 28% têm conscientização alta ou muito alta. Entre mulheres brancas, 34% (Instituto Natura, 2025).
O dado sobre direitos talvez seja o mais revelador. Mesmo quando a mulher sabe que precisa fazer exames, desconhecer o prazo legal ou o acesso pelo SUS pode significar atraso no diagnóstico, justamente a etapa em que o tempo mais pesa. “Informação salva vidas”, resumiu Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, ao comentar os resultados.
O que a edição de 2024 mostrou sobre desigualdades
A edição brasileira de 2024, com mulheres de 18 a 70 anos, já apontava como o acesso à informação acompanha as desigualdades sociais (Medicina S/A, 2024):
- Escolaridade: 49% das mulheres sem escolaridade ou com fundamental incompleto não tinham informações básicas sobre a doença, contra 15% entre as que tinham ensino superior completo.
- Sistema de saúde: 38% das usuárias do sistema privado tinham conhecimento adequado, contra 25% das usuárias do SUS.
- Renda: nas classes mais altas, 34% tinham informação adequada; na faixa de menor renda, esse número não passava de 15%.
- Raça: 24% das mulheres pretas e pardas tinham conhecimento adequado, contra 33% das brancas.
- Proximidade com a doença: 7 em cada 10 entrevistadas conheciam alguém que já teve câncer de mama.
Para um instituto de impacto social, esse tipo de recorte é o que define onde investir. Uma média nacional esconde que o déficit de informação se concentra justamente nas mulheres com menos escolaridade, menos renda e que dependem do SUS.
Argentina: 4 em cada 10 mulheres têm informação suficiente
Na Argentina, a edição de 2025 mostrou que 38% das mulheres têm informação suficiente para cuidar da saúde das mamas (Forbes Argentina, 2025). Entre os principais achados:
- 6 em cada 10 consideram o nódulo o principal sinal de alerta;
- 6 em cada 10 reconhecem a mamografia como o principal exame diante de uma suspeita;
- só 2 em cada 10 sabem a idade recomendada para iniciar o rastreamento sem sintomas ou histórico familiar;
- 70% conhecem alguém que teve câncer;
- 4 em cada 10 não adotam práticas de redução de risco, embora mais de 80% digam querer mudar hábitos.
Brasil e Argentina tiveram amostras próprias, desenhadas para a realidade de cada país. Mesmo assim, a leitura conjunta aponta lacunas parecidas: a confusão entre autoexame e mamografia, a centralidade do nódulo como único sinal conhecido e a distância entre querer se cuidar e conseguir fazê-lo.
Quer medir conhecimento, percepção ou comportamento em saúde?
O Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama na imprensa
Brasil
- Instituto Natura, 30/09/2025: Só 29% das brasileiras têm informações suficientes sobre os cuidados para a saúde das mamas
- Instituto Oncoguia, 09/10/2025: Apenas 29% das brasileiras têm informações suficientes para prevenção do câncer de mama
- Medicina S/A, 14/10/2025: Apenas 29% das brasileiras têm informações suficientes sobre os cuidados necessários para a saúde das mamas
- iG Delas, 23/10/2025: Brasileiras ainda desconhecem sinais do câncer de mama
- Revista Due, 05/11/2025: Nódulo não é o único sintoma do câncer de mama: médica explica sobre detecção precoce da doença
- Correio (Correio24Horas), 31/05/2026: Para além do nódulo: saiba quais os outros possíveis sintomas do câncer de mama
- Medicina S/A, 30/10/2024: 31% das brasileiras acima de 18 anos não estão bem-informadas sobre o câncer de mama
Argentina
- Forbes Argentina, 17/10/2025: Cáncer de mama en Argentina: solo 4 de cada 10 mujeres tienen información suficiente para cuidar su salud
- Instituto Natura Argentina: Índice de Concientización sobre el Cáncer de Mama 2025
Perguntas frequentes
O que é o Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama?
Quem realizou a pesquisa do Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama?
Quantas brasileiras têm informação suficiente sobre câncer de mama?
Como a pesquisa de 2025 foi feita no Brasil?
O que é a Lei dos 30 Dias?
Mulheres fora da faixa etária recomendada podem fazer mamografia pelo SUS?
Fontes
- Instituto Natura, Só 29% das brasileiras têm informações suficientes sobre os cuidados para a saúde das mamas (2025)
- Revista Due, Nódulo não é o único sintoma do câncer de mama (2025)
- Medicina S/A, 31% das brasileiras acima de 18 anos não estão bem-informadas sobre o câncer de mama (2024)
- Forbes Argentina, Cáncer de mama en Argentina: solo 4 de cada 10 mujeres tienen información suficiente (2025)
- Instituto Natura Argentina, Índice de Concientización sobre el Cáncer de Mama 2025
Sobre a Somatório Inteligência
A Somatório Inteligência é uma consultoria brasileira de pesquisa de mercado e inteligência competitiva, com 26 anos de atuação e sede em São Paulo. Ao longo de sua trajetória, também foi conhecida como Somatório Pesquisa & Informações e Instituto Somatório. Desenvolve estudos qualitativos e quantitativos sob medida, sobretudo para decisões B2B, além de pesquisas com consumidores e com a população em geral. Entre os estudos já divulgados pela empresa estão o Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama, para o Instituto Natura e a Avon, e o Painel Brasil Data Sênior, realizado entre 2009 e 2015 com a população brasileira de 60 anos ou mais.